
A fortuna estimada de Elon Musk deu um salto de US$ 45 bilhões (R$ 225,03 bilhões) e atingiu o recorde de US$ 722 bilhões (R$ 3,61 trilhões) na quinta-feira (21), após a divulgação de documentos apresentados pela SpaceX no processo de abertura de capital trazer novos detalhes sobre as finanças pessoais do bilionário.
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A mudança aconteceu depois que o Índice de Bilionários da Bloomberg revisou seus cálculos sobre a participação de Musk na SpaceX. Até então, a agência considerava que 57% das ações do empresário na companhia haviam sido usadas como garantia em empréstimos pessoais.
Essa estimativa era baseada em declarações feitas por Musk em 2019, quando ele afirmou ter usado parte de suas ações como garantia para obter crédito.
No entanto, os documentos divulgados pela SpaceX mostraram que a parcela efetivamente comprometida era muito menor. Segundo o prospecto, em 1º de maio Musk havia dado como garantia cerca de 238 mil de suas 849,5 milhões de ações da empresa — menos de 0,3% do total.
🔎 O valor foi calculado com base no Índice de Bilionários da Bloomberg, que usa critérios próprios para estimar participações em empresas, dívidas e outros ativos. Por isso, os números podem diferir dos da Forbes, que nesta sexta-feira (22) estimava a fortuna de Musk em US$ 808 bilhões (R$ 4,04 trilhões).
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Com isso, a Bloomberg retirou de seus cálculos uma obrigação estimada em US$ 45 bilhões (R$ 225,03 bilhões) ligada à participação do empresário na SpaceX, o que elevou imediatamente a fortuna atribuída a Musk.
Neste ano, o patrimônio do dono da Tesla e da SpaceX já cresceu US$ 103 bilhões (R$ 515,06 bilhões), segundo o ranking da Bloomberg. O avanço é maior do que a fortuna combinada dos empresários Larry Page e Sergey Brin, cofundadores da Alphabet, controladora do Google.
SpaceX entra com pedido para estrear na bolsa
Nesta semana, a SpaceX protocolou um pedido de IPO, sigla utilizada quando uma companhia abre capital e passa a negociar ações na bolsa de valores.
De acordo com documentos enviados à Securities and Exchange Commission (SEC), a companhia pretende listar suas ações na Nasdaq sob o código “SPCX”.
Os registros mostram que a SpaceX registrou receita de US$ 4,694 bilhões no primeiro trimestre deste ano, mas encerrou o período com prejuízo operacional de US$ 1,943 bilhão.
A maior parte do faturamento veio da divisão de conectividade, responsável pela Starlink, que gerou US$ 3,257 bilhões em receita. Já a área espacial da empresa somou US$ 619 milhões.
A companhia informou ainda que não pretende distribuir dividendos aos detentores de ações Classe A no curto prazo, o que indica que os investidores não devem receber participação nos lucros neste momento.
A estrutura acionária, conforme o documento será dividida em duas classes: as ações ordinárias Classe A terão direito a um voto por papel, enquanto as Classe B garantirão dez votos por ação.
Na prática, essa configuração mantém Musk com forte poder de controle sobre a empresa mesmo após a abertura de capital. Segundo os documentos, ele continuará capaz de influenciar decisões que dependam da aprovação dos acionistas.
A SpaceX também afirmou que será classificada como “empresa controlada” após o IPO. Com isso, não precisará manter maioria independente em seu conselho de administração, como costuma ocorrer em companhias listadas nos Estados Unidos.
Valor de mercado de US$ 1,75 tri
Musk vinha sinalizando ao mercado que a SpaceX poderia alcançar um valuation de US$ 1,75 trilhão, valor muito superior à receita anual da companhia.
No ano passado, a empresa registrou vendas de US$ 18,5 bilhões. A avaliação projetada por Musk equivale a quase 100 vezes esse faturamento, múltiplo acima do observado em gigantes de tecnologia como Apple e NVIDIA.
Com expectativa de estreia na bolsa em meados de junho, analistas e investidores discutem se a operação pode se tornar uma das maiores aberturas de capital da história recente dos Estados Unidos.
Parte do otimismo está ligada ao crescimento da Starlink, que já concentra a maior fatia das receitas e dos lucros da companhia.
Os novos documentos também indicam avanços nos planos da empresa envolvendo inteligência artificial e computação espacial. A SpaceX afirmou que pretende iniciar, a partir de 2028, a implantação de satélites voltados à computação orbital com IA.
A companhia informou ainda que fechou, em maio, contratos de serviços em nuvem com a Anthropic. Segundo os registros, a empresa poderá pagar à SpaceX até US$ 1,25 bilhão por mês até maio de 2029, com expansão gradual da capacidade contratada a partir de maio e junho de 2026.
Além disso, a SpaceX revelou planos para lançar um produto financeiro voltado a pagamentos, serviços bancários e outras operações.
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*Com informações da Reuters
Elon Musk em imagem de maio de 2025
AP Foto/Evan Vucci
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